Os humanos foram criando leis e religiões pra evitar o sofrimento inevitável dos confrontos do convívio social.
Pra isso, os instintos, causa de disputas infindáveis, têm que ser domados já na infância. Todavia, essa tarefa é sempre incompleta, pois instintos mesmo contidos, amordaçados nunca perdem força.
Numa certa etapa da humanidade, acredita-se numa recompensa no além pra quem tiver vida bem comportada. Cre-se no Céu, no Inferno e na Providência a proteger os que conseguem não pecar. Desde o Renascimento, entretanto, não se leva mais essa idéia de recompensa no Além a sério.
É isso que Nietzsche quer dizer com "Deus morreu".
A maneira de evitar a guerra, portanto, já não é mais controlar instintos pra ser recompensado no Além-mundo, resta apenas fugir do que gera sofrimento, fugir dos próprios desejos, sobreviver negando, recusando em si mesmo tudo o que pode gerar conflito, frustração e sofrimento. Dias perfeitos não podem ter envolvimento amoroso, apego a pessoas, vontade de competir, corrida por dinheiro, relação afetiva familiar, ambição profissional. Tudo que pode dar prazer é arriscado, gera sofrimento. Portanto ,a perfeição vem de contentar-se com a paz. A paz que pouco se distingue da paz dos cemitérios.
Frase que sintetiza as escolhas de Hirayama:
Riobaldo Tatarana de "Grande Sertão, Veredas", do grande escritor filosofante, João Guimarães Rosa, diz:




