Ulisses, herói da Guerra de Troya,
Perdeu-se na vastidão do mar
E, após longos anos sem Penélope,
Extremamente carente de amor,
Circe o alertou sobre à Ilha das Sereias, c Cujo canto se apoderava dos desejos dos homens,
Levando-os a êxtase tal que, abandonando tudo o que seu Eu lhes impunha,
Perdia-se até não mais encontrar rumo.
Esgotado, à beira de explodir, não se conteve.
Decidiu-se a enfrentar o risco.
Astuto, mandou seus remadores bloquearem totalmente os próprios ouvidos,
Só ele mesmo ouviria o maravilhoso canto,
Fortemente atado ao mastro da nave,
Nem seus músculos de guerreiro o soltariam.
Quem já vivenciou um encontro pleno com os desejos, o corpo e a alma de alguém, desses em que o tempo paira suspenso como que a tangenciar a Eternidade, entrevê a delícia e a dor de Ulisses ao ouvir aquele canto tão proibido.
Qual dor?
A dor que vem com o retorno da percepção corriqueira do tempo, que se impõe, e nos fazer voltar pra trás das máscaras.
A dor que vem com o retorno da percepção corriqueira do tempo, que se impõe, e nos fazer voltar pra trás das máscaras.
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