Nossa 'Genealogia do Real', que em breve estará nas livrarias, detém-se em refletir o tema de Narciso, tal como Freud o fez ao descrever a fase em que a libido narcísica dá início à formação da personalidade humana. É comum que estudiosos de psicologia e psicopatologia só tratem superficialmente de Narciso, aqui entendido como um 'Eu' incipiente primordial, cuja pulsão é a primeira manifestação de libido, e erroneamente lhe atribuam tão-só o traço de negação do outro, dos outros.
Esquecem-se de que, antes de negar o que lhe é exterior, Narciso necessariamente afirma a si mesmo!
Mostramos que só dessa afirmação radical de si mesmo por esse "Eu" primordial pode emergir a dialética que, em contato com o outro, engendra a complexo de Édipo.
Uma abordagem parca do papel desse ‘Narciso’ primordial certamente empobrece a compreensão e a análise do complexo de ‘Édipo’ e de todo o desenvolvimento da personalidade.
Só um leitor muito desatento poderia imaginar que aqui se trate de amenizar a imagem ruim disseminada dos "narcisistas", do mundo contemporâneo. Nada mais descabido! O assim chamado "narcisismo" contemporâneo pouco, talvez nada, conserva da afirmação radical da libido narcísica infantil.
Certamente é fenômeno engendrado pelo consumismo insano que aprisiona a sociedade global, e que tanto tem destruído da Natureza à nossa volta! De tanto serem estimuladas a consumir compulsoriamente, as pessoas se voltam a si mesmas, a uma imagem de si, reificada, transformada em coisa, mercadoria, que se dedicam a tentar vender e usufruir auto-eroticamente!
Tarefa premente se impõe aos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento da libido e da personalidade: como se dá essa apropriação da libido narcísica pela estrutura de produção capitalista.
Mostramos que só dessa afirmação radical de si mesmo por esse "Eu" primordial pode emergir a dialética que, em contato com o outro, engendra a complexo de Édipo.
Uma abordagem parca do papel desse ‘Narciso’ primordial certamente empobrece a compreensão e a análise do complexo de ‘Édipo’ e de todo o desenvolvimento da personalidade.
Só um leitor muito desatento poderia imaginar que aqui se trate de amenizar a imagem ruim disseminada dos "narcisistas", do mundo contemporâneo. Nada mais descabido! O assim chamado "narcisismo" contemporâneo pouco, talvez nada, conserva da afirmação radical da libido narcísica infantil.
Certamente é fenômeno engendrado pelo consumismo insano que aprisiona a sociedade global, e que tanto tem destruído da Natureza à nossa volta! De tanto serem estimuladas a consumir compulsoriamente, as pessoas se voltam a si mesmas, a uma imagem de si, reificada, transformada em coisa, mercadoria, que se dedicam a tentar vender e usufruir auto-eroticamente!
Tarefa premente se impõe aos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento da libido e da personalidade: como se dá essa apropriação da libido narcísica pela estrutura de produção capitalista.



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