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February 25, 2026

Niilismo e "Dias Perfeitos", filme de Wim Wenders.

'O deserto cresce! Ai de quem esconde desertos!' Nietzsche

O desafio primordial da vida humana em sociedade é como lidar com a guerra de todos contra todos.
Os humanos foram criando leis e religiões pra evitar o sofrimento inevitável dos confrontos do convívio social.
Pra isso, os instintos, causa de disputas infindáveis, têm que ser domados já na infância. Todavia, essa tarefa é sempre incompleta, pois instintos mesmo contidos, amordaçados nunca perdem força.
Numa certa etapa da humanidade, acredita-se numa recompensa no além pra quem tiver vida bem comportada. Cre-se no Céu, no Inferno e na Providência a proteger os que conseguem não pecar. Desde o Renascimento, entretanto, não se leva mais essa idéia de recompensa no Além a sério. 
É isso que Nietzsche quer dizer com "Deus morreu".

A maneira de evitar a guerra, portanto, já não é mais controlar instintos pra ser recompensado no Além-mundo, resta apenas fugir do que gera sofrimento, fugir dos próprios desejos, sobreviver negando, recusando em si mesmo tudo o que pode gerar conflito, frustração e sofrimento. Dias perfeitos não podem ter envolvimento amoroso, apego a pessoas, vontade de competir, corrida por dinheiro, relação afetiva familiar, ambição profissional. Tudo que pode dar prazer é arriscado, gera sofrimento. Portanto ,a perfeição vem de contentar-se com a paz. A paz que pouco se distingue da paz dos cemitérios.

February 24, 2026

Há Limites para o Conhecimento Científico?



Em busca de uma reposta a essa questão dos limites da ciência, comecemos recordando um mito que está na base da cultura do Ocidente, qual seja, o relato contido no Gênesis sobre o primeiro de todos os pecados humanos. Apesar da advertência de Deus para não provar do fruto da árvore da sabedoria, Eva não se absteve de comê-lo, e levou Adão a fazer o mesmo. Em conseqüência dessa desobediência, ambos foram expulsos do paraíso, e seus descendentes terão que pagar por essa sua falta, enquanto existirem humanos sobre a Terra.
Muitos estudiosos de religião afirmam que esse mito não deve ser lido como alegoria, mas sim, compreendido literalmente. Aqui, por discordar desse ponto de vista, tentamos interpretá-lo alegoricamente.
Os trabalhos de Kepler, Galileu e Newton descartaram o núcleo da física de Aristóteles. Uma visão de mundo mecanicista surgiu a partir dessa revolução na ciência, levando mesmo a questionamentos sobre se o Homo sapiens ainda deve ser considerado a mais importante dentre todas as criaturas. Afinal, a Terra não está mais no centro do Universo, bem diferente disso, é apenas mais um pequeno planeta entre outros.
No século XIX, Laplace teve até mesmo a ousadia de postular que toda a eternidade poderia ser detalhadamente conhecida, seja rumo ao passado, seja rumo ao futuro, caso pudéssemos capturar, em determinado instante, todos os estados e todas as leis do Universo. Para um bom entendedor, o que esse matemático quis mostrar foi que o ser humano, num Universo regido por rígidas leis mecânicas, poderia vir a tornar-se tão sábio e poderoso quanto o Deus criador. Bastante pretensioso! Muitos filósofos e cientistas do século XIX deram passos bem semelhantes a esses, levando ao florescimento do positivismo. A razão humana onipotente não encontraria obstáculo algum para seguir firme rumo ao saber absoluto.
Algumas décadas depois, porém, as teorias da relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica puseram abaixo esse "castelo de cartas"!
Fato é que em cada período da história humana é dominado por uma visão de mundo, baseada em teorias científicas tidas por verdadeiras, que, cedo ou tarde, terminam ultrapassadas por novas e melhores interpretações dos dados colhidos na experiência do mundo.
Sempre que o tema refutabilidade das teorias é posto a uma platéia de jovens entusiastas do progresso científico surge a pergunta:
"As geniais descobertas de Einstein, que até hoje mal podemos compreender, não serão imunes a refutação?".
A que respondemos:
"Não, de jeito nenhum, jovem! Essa sua pergunta denota uma expecativa ingênua, já que nenhuma teoria pode ser imune a tornar-se ultrapassadas!”
Talvez retruquem:
Albert Einstein foi um gênio extraordinário, um cérebro poderosíssimo, como nunca se viu, ouviu, ou leu!"
Analisando a história da ciência, não é difícil perceber que nenhuma teoria pôde nem poderá jamais ser considerada definitiva. São todas provisórias, as melhores delas sempre devem estar à espera de um ou mais dados novos de observação que a neguem, a falsifiquem. Quando um suposto cientista tenta blindar suas teorias contra a possibilidade de refutação por novas observações, abandona a ciência e se torna um simples charlatão, um "vendedor de óleo de cobra". Esteja ciente, jovem, de que existem muitos desses pseudo-cientistas!
Por ser essencialmente provisório [evidência metafísica que surge no núcleo das próprias ciências empíricas], o conhecimento científico nos aponta para o verdadeiro significado do 'Fruto Proibido' do Genesis. Vejamos:
O conhecimento absoluto nunca será acessível a nenhum ser humano, pois apenas verdades relativas e provisórias podem chegar a nossa consciência.
Uma teoria científica refutável é o melhor "fruto que podemos digerir". O máximo grau de verdade acessível a nossa capacidade de conhecer. Ainda que cientes disto, nunca deixaremos de dar ouvidos ao blá-blá-blá da 'serpente' que tenta fazer-nos olhar para as teorias do presente [da hora!] como "verdades definitivas" (ou seja, sugerir que 'comamos dos frutos proibidos') para nos tornar tão onipotentes quanto o Deus bíblico.

Quão ingênuo precisa ser alguém pra levar a sério as palavras dessa "serpente"!


***Nossa resposta envolve uma opção metafísica, pois se baseia em expectativa que só se comprovará com fatos futuros. Não podemos prová-la, apenas especular que nunca haverá teoria que esgote o mundo observado.




February 13, 2026

O AR ENVENENADO DE NOSSAS PRAIAS!

 


OZÔNIO: Poluente tóxico do eixo São Paulo - Cubatão - Santos, do Litoral e de Vasta Área Oceânica


PERGUNTA dirigida por mim ao Copilot da Microsoft: 

Tenho observado, pelos mapas de qualidade do ar, que a poluição por Ozónio com frequência atinge níveis tóxicos sobre toda a imensa área sobre o eixo São Paulo- Santos, o que certamente se pode explicar pelos veículos com motores a combustão, pela atividade industrial, etc. Não compreendo, porém, o fato de que uma gigantesca área oceânica adjacente a nossa linha litorânea também mostra com muita frequência níveis comparáveis ao do eixo São Paulo- Santos. O que sabe a respeito?

RESPOSTA:

A poluição por ozônio sobre áreas oceânicas próximas ao litoral de São Paulo pode ser explicada pela dispersão atmosférica de precursores químicos emitidos em terra, que reagem e formam ozônio mesmo longe da fonte original.

O ozônio troposférico (o que afeta a saúde humana) não é emitido diretamente, mas formado por reações fotoquímicas entre óxidos de nitrogênio (NOx) e compostos orgânicos voláteis (COVs), que são liberados por veículos, indústrias e queimadas. Esses poluentes podem ser transportados por correntes atmosféricas por dezenas ou até centenas de quilômetros, inclusive sobre o oceano.

Aqui estão os principais fatores que explicam esse fenômeno:

🌬️ Transporte atmosférico de poluentes

Correntes de ar costeiras levam os precursores do ozônio emitidos na região metropolitana de São Paulo e no polo industrial de Cubatão para o oceano.

A brisa marítima diurna empurra o ar poluído para o mar, onde ocorre a formação secundária de ozônio.

☀️ Formação fotoquímica sobre o oceano

Mesmo longe das fontes, os precursores reagem sob forte radiação solar, comum na região litorânea, formando ozônio.

O oceano não absorve ozônio como a vegetação terrestre, permitindo que ele se acumule na camada inferior da atmosfera.

🏭 Influência da atividade humana

A intensa atividade industrial e urbana no eixo São Paulo-Santos gera grandes volumes de NOx e COVs.

Estudos indicam que a pluma de poluição de Cubatão pode se estender por mais de 100 km, atingindo áreas oceânicas adjacentes.

🌊 Ausência de barreiras naturais

Sobre o oceano, não há obstáculos físicos (como montanhas ou vegetação) que limitem a dispersão ou promovam a deposição dos poluentes.

Isso permite que o ozônio se mantenha em níveis elevados por mais tempo.

Esse fenômeno é bem documentado em estudos de modelagem atmosférica e monitoramento da CETESB, que mostram que a poluição gerada em terra pode impactar significativamente áreas oceânicas próximas. Embora o foco das pesquisas seja geralmente sobre áreas urbanas, há crescente atenção sobre os efeitos da poluição atmosférica sobre o mar, inclusive em relação à saúde marinha e à qualidade do ar em embarcações e comunidades costeiras.

February 7, 2026

A Frase Difícil

Há alguns anos, atendi em consulta um homem cuja vida se assemelhava à dos jagunços de Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa. Envolvido numa guerra de famílias do sertão a oeste do Rio São Francisco, falava com muitos e fortes regionalismos.
Depois de relatar com reticências e olhar esquivo seus problemas de vida em meio à jagunçada, sintetizou assim o motivo de sua consulta:

--Doutor, estou numa FRASE difícil!

February 2, 2026

Il Nostro Più Meraviglioso Viaggio

"Viaggiare è proprio utile, fa lavorare l'immaginazione.
Tutto il resto è delusione e fatica.
Il viaggio che ci è dato è interamente immaginario.
Ecco la sua forza.
Va dalla vita alla morte. Uomini, bestie, città e cose, è tutto inventato.
È un romanzo, nient'altro che una storia fittizia.
Lo dice Littrè, lui non si sbaglia mai.
E poi in ogni caso tutti possono fare altretanto.
Basta chiudere gli occhi. 
È dall'altra parte della vita."

January 26, 2026

Doubt, Thought and the Human Condition


What distinguishes science from myth?

At what point in the history of our species were first humans capable of setting aside the mythological world view, thence beginning empirical investigations that put them on trail to objective science?
Surely only after they had the capacity to doubt the "truths" their community rigidly accepted as established by their ancestors.
As long as people passively take what has been taught them as a definitive, unquestionable truths, new hypotheses cannot emerge from observational data, making them unable to construe authentically their own worldviews. In other words, such people just repeat what others have supposedly once inferred about the world.
I daresay that moment when the first ape became able to conceive his/her first doubts about learned contents from her community must be taken for the true beginning kick-off step of the Homo sapiens species.
If the sun is seen as the god from which the moon is born every sunset, and this way of interpreting them is repeated to new generations, without questioning, human reasoning may not be seen even as protoscientific. It characterizes a typical mythological assertion, not for its bizarre contents, but mainly for its dogmatic transmission.
People who cannot have doubts are only capable of imitating, like apes, without ever thinking (for themselves). The latter parenthesis is tautological, redundant! Whoever merely repeat other people's ideas, whether only mentally or speaking, may not be said as to be thinking!
Scientific progress always involves accumulation and transmission of knowledge to the next generations, and it almost sounds obvious that it can never cease. Essential to its unfoldings is the possibiity of putting in check i.e., doubting every single detail of established scientific theories.
Copernicus could conceive the giant leap from the Ptolemaic to the heliocentric system only after rejecting the old absolute dogma which put the Earth at the center of the universe. After him, Galileo, attempting to refute Ptolomeus with his telescope, was constraint to remain silent under death threat at the stake by powerful, demonic inquisitors.
Newton, after seriously doubting Aristotelian physics was the best description of the world, was able to build his magnificent theory of gravitation. The greater the ability to consistently question previously acquired knowledge, the greater the genius of a scientist.
Einstein, radically questioning the systems of his predecessors, was able to surpass them all with his theories of relativity, which we laypeople would so much like to understand one day, as well as quantum physics, string theory, black holes, the Higgs boson, etc., etc.
Notwithstanding our complaints, all these most complex concepts related to contemporary physics have long invaded our daily lives, whether we like it or not, because a myriad of high-tech gadgets used today make use of them.
Yes, of course productively questioning any of these concepts can only be a task for experts.
Therefore, for science to progress, it is not enough to transmit knowledge concocted by previous generations; it is also essential that the set of accepted theories be constantly checked! Through rigorously conducted methodological doubt, which preserves the past questions of science, we incessantly question its conclusions, but also its axioms, its basic constructs, and everything that derives from them, always having the courage to launch and test new hypotheses and speculate!
A corollary to the previous paragraph is that all science, like any other type of knowledge, can only be provisional, because no human being can ever be given absolute knowledge.

The myth of Adam and Eve and their seduction by the serpent leading both to taste the tree of wisdom's forbidden fruit seems an interesting allegory of our knowing limits: Human beings will be forever unhappy whether taking any among their supposed truths as absolute ones . 
Everything humans may be able to know concerns nothing more than this finite world, thus remaining forever relative to a finite set of circunstances. Absolute knowledge, so much as absolute perfection do not belong to this life, and so will never be within human reach.