Subscribe in a reader

IDIOMAS, IDIOMS, LINGUE

ENGLISH, ITALIANO, PORTUGUÊS
Todas as postagens originais deste blog, com poucas exceções, podem ser lidas aqui, sem a necessidade de recorrer a tradutores automáticos, nesses idiomas acima.
Embora possam alguns dos textos não aparecer nas páginas iniciais, basta pesquisá-los aqui mesmo.

Tutti i post di questo blog, con poche eccezioni, potreste leggere qua nelle tre lingue su dette, senza bisogno di ricorrere a traduttori automatici (come il traduttore
di google). Sebbene possono non essere trovati nelle pagine iniziali, appariranno se ve le cercate.


Original posts on this blog, but for a few exceptions, may be found here in the three above mentioned idioms without need of any automatic translators. Whether not visible in the first pages, the "search this blog" tool will help you to find them easily.

August 11, 2026

ALEPH: Especulação Arqueo-Antropológica.


No ensaio "Totem e Tabude 1913, Sigmund Freud apresentou uma hipótese antropológica ousadamente especulativa, construída através do entrelaçamento dos revolucionários conceitos de sua teoria psicanalítica, então recém-criada. Uma horda primitiva, semelhante àquelas observadas entre primatas superiores, como gorilas e chimpanzés, é dominada por um macho forte e astuto, que exclui com violência os rivais mais jovens da posse das fêmeas. Até o dia em que esses excluídos se unem, derrotam, matam e devoram o líder (e pai da maioria), dando origem a uma nova ordem familiar e social. A partir de então não haveria mais tal tipo tão primitivo de "patriarca". Acabava assim a necessidade desse tipo de assassinato hediondo com canibalismo para expulsar os velhos dominantes do topo. Freud afirma que esse parricídio primordial permanece em nosso inconsciente coletivo e dá estrutura ao complexo de Édipo típico das famílias humanas pra sempre. É desnecessário sublinhar, portanto, a sua importância nuclear na constituição de nossas mentes sob uma perspectiva freudiana.

Apresentamos aqui, através de um conto em estilo mítico, uma forma alternativa de também especular, à nossa maneira, sobre as raízes mais profundas do nosso funcionamento mental

ALEF

Montanha de pedras

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

 Nasceu perto do imenso rio que atravessa um deserto sem fim, à sombra de um enorme baobá, não muito longe do mar. As dores do parto foram fortes, mas a alegria e o brilho logo vieram aos olhos da mulher que lhe trouxe à vida. Quando criança, Alef brincava nas várzeas ao longo daquele mesmo rio, corria e pulava pela floresta, subia em árvores, e comia tantos tipos de fruta. Tornou-se um jovem forte e musculoso, e logo as mulheres com quem cruzava rapidamente se entregavam àquele belo rapaz. Aos seus desejos, Alef facilmente correspondia, ingênuo, suave, cheio de tesão e de ternura.

Formavam uma horda errante: ele, então único macho, cercado por inúmeras fêmeas a deliciar-se em orgias intermináveis.
Deslocavam-se, dia após dia, acompanhando o fluxo da caudalosa corrente. Até que numa manhã fria se surpreenderam ao avistar o mar de altas e salgadas 
ondas. A partir dali, sempre a se amar e a procriar, a orla marítima é que lhes dava a direção. Alef não quis seguir pra onde o sol morria todo fim de tarde, preferiu o rumo daquela terra que paria o novo sol todas as manhãs.  

Em certo amanhecer muito quente de verão, ao dar-se conta subitamente de que mulheres mais velhas já não despertavam seu desejo, Alef as abandonou. Estas, porém, ainda que separadas do grupo que permanecia junto dele, passaram a seguir suas pegadas na areia. Assim, poderiam ainda observá-lo, mesmo que só à distância, pra alimentar seus sonhos e devaneios com os olhar de Alef.
Sedento de vida, ansiando por todos os tipos de êxtase e maravilhas, ele continuava a buscar por novos corpos quentes, fortes, lindos e ávidos. 

Tanto pelos que o tinham a seu lado, que ainda podiam oferecer-se a sua luxúria infinita, quanto pelo grupo rejeitado, aquela horda de errantes crescia.

Alef trocava, então, cada vez mais, amantes envelhecidos por jovens adolescentes nascidos de seu grupo. Pouco lhe importava seu gênero, e tanto umas quanto outros deixavam-se por ele seduzir, ao revelar-se parceiros doces, gentis, constantes.
Alef não tinha nome algum, assim como ninguém nem nada entre eles. A única vocalização de todos de sua horda eram os gemidos e gritos das orgias.

Então, veio um certo amanhecer em que avistaram um  novo mar, ou lago, extremamente salgado, denso, a ponto de só pedras e rochedos irem ao fundo em suas águas. Parecia não abrigar qualquer peixe. Assim, durante o percurso ao longo daquela nova margem, só pequenos animais do deserto serviam-lhes de alimento, tendo que ser caçados com dificuldade por entre os rochedos. Portanto, foi com muita alegria que, num amanhecer dourado chegaram à foz de um rio, cuja água doce desembocava naquele mar tão salgado. A partir desse dia, tendo fácil acesso a comida, aquela horda nômade pôde parar de perambular tanto, e fixou-se ali por muitas estações. Foi nesse bom tempo e lugar que Alef atingiu a plenitude máxima de sua força e beleza de macho humano. Apaixonava-se por moças assim que via o desejo quente e maduro em seus olhos, e abraçava cheio de ternura os rapazes em que percebia ombros largos o bastante, peitos peludos, coxas musculosas. Esses jovens, gerados nas fêmeas da horda, entregavam-se a ele em êxtase, e o amavam com a fúria dos leões no cio.

Muitos outonos antes, uma das fêmeas mais belas dera à luz um menino, que logo se pareceria muito e cada vez mais com Alef: no rosto, no cabelo, nos olhos, na sede de poder. Assim que o primeiro desejo forte de rapaz lhe brotou, ele e uma linda mulher, que poderia ser a que lhe deu à luz, possuíram-se explosivamente.

Presenciando essa repentina fúria amorosa perto de onde dormia, Alef, foi tomado por selvagem tesão tanto por aquele jovem musculoso, quanto pela sua penetração em uma de suas mais lindas amantes. A seguir, em meio aos rochedos e à margem direita do rio, já perto da foz, aconteceu o encontro numinoso: o rapaz, a primeira mulher que amou, e Aleph. Os três nus, a tocar-se e beijar-se loucamente, as ereções intensíssimas imitavam a dureza das pedras ao redor. Abraçaram-se, entrelaçaram seus corpos e uivaram como lobos por toda a noite mais quente daquele verão.

Por serem dois homens idênticos, eles poderiam ter prosseguido sempre a viver e a amar lado a lado, compartilhando cada uma daquelas lindas e daqueles lindos amantes. Quem seria capaz de diferenciar um do outro? E pra quê? Tal teria sido seu destino de homens fortes, selvagens e ávidos por orgias intermináveis. Seriam capazes de levar uma só vida de prazeres, a seguir com sua horda para sempre rumo àquela misteriosa terra de onde nasce o sol.
Entretanto, algo de novo e
 insuspeitado, veio a interromper o que parecia ser o fluxo espontâneo natural de suas vidas. Tal fato, diferente de tudo que tinham vivido, deu-se numa daquelas noites de orgia, logo ao final de um intenso e ruidoso ménage-à-trois. Quem sabe por ter gerado, o rapaz em seu próprio corpo, a mulher se deu conta de que o desejava com mais tesão do que o que sentia por Alef.  Por isso, e pela primeira vez, pôde distingui-los. A seguir, lançando poderoso feitiço contra o mais maduro, deu-lhe um nome: 'Pai'.

Tendo um nome, Pai, não seria mais confundido com o jovem. O entrelaçamento de suas identidades, que lhes proporcionara tantos momentos de êxtase, não existia mais. Tentaram, então, a apelar pra suas doces lembranças, repetir o trio extasiante e uníssono, empregando agora as mesmas carícias, os mesmos beijos, abraços, e toques de mão, que haviam levado aos momentos de clímax. Houve alegria, júbilo, mas foi por tudo impossível alcançar aquele mesmo ritmo simultâneo que os levara a chorar e a gritar juntos. Perplexos, puderam então observar outro feitiço dela:  chamou o gozo tido com Aleph de 'o Passado'. O outro orgasmo, mais forte, tido com o jovem, chamou de 'o Futuro'. Àquela sensação de tédio e frustração perturbadores em que os três se encontravam pouco antes do amanhecer, chamou de 'o Presente'.

A partir de então, como seres individualizados, com nomes e noções sobre um fluxo unidirecional de tempo, Filho e Pai, odiaram-se.  Aleph expulsou violentamente Filho, fazendo com que se juntasse aos rejeitados. A mulher matriz das palavras o acompanhou. 'Filho e Mãe', dois nomes que ela acabara de inventar, frustrados e infelizes, ainda puderam conceber outra dimensão do tempo: a de uma vida que teria sido possível se o trio de amantes não tivesse sido desfeito, se o seu amor incendiário ainda pudesse existir como antes. Filho e Mãe nomearam esta dimensão temporal imaginada, que poderia ter sido, ausente e inatingível, de 'Eternidade'. O orgasmo explosivo e simultâneo daquele trio, impossível de expressar em palavras, chamaram de 'Deus'.
Entre os rejeitados, que só sobreviviam por sonhar e devanear com os olhos de Alef, Filho, fisicamente tão semelhante a ele, logo foi admirado e desejado por todos. Mãe decidiu ensinar a todo o seu novo grupo a feitiçaria dos nomes e dos tempos. Visto que o gozo com o Pai era o Passado, sua condição de rejeitados, o Presente, o orgasmo provável com Filho, o Futuro, e a felicidade que poderia ter sido
mas nunca se deua Eternidade; os rejeitados sentiram-se capazes de se afastar do brilho dos olhos de Pai. Assim decidiram, numa tarde de outono, quando Filho lhes falou de Deus, uma alegria, um clímax orgástico indescritível, impossível até de colocar em palavras suas nuances tão preciosas, com seu ritmo triplo tão sublime e harmonioso. Sim, inútil tentar dizer algo sobre a intensidade de Deus ou mesmo sobre a veracidade de sua existência. No entanto, ao tentar transmiti-lo para sua nova horda, Filho criou um conjunto mágico e requintado de sons e cadências, para espanto, maravilha e fruição de todos. Assim, ele inventou a Música.
O grupo dos rejeitados, em que apareciam cada vez mais nomes
designando tanto coisas quanto idéias ou sensaçõesseguiram em direção ao sol poente, trazendo de Alef lembranças daqueles dias de luxúria, tanto quanto a dor de nunca mais poder ver seus olhos. Nunca, nem mesmo através das infindáveis gerações subsequentes, foram esquecidos aqueles encontros orgiásticos a três, nem as palavras que Mãe ali criara: Infinito, Beleza, Passado, Eternidade, Deus.

August 10, 2026

Messalina and The Truth

For millennia, philosophers and scientists have sought truths of universal value. Yet, it is quite curious that there are countless definitions of what this highly coveted "lady" might actually be. Do so many people seek her without truly knowing what truth is? Despite this, everyone seems to agree that truths do exist. And all indications suggest that—at least in this plural sense—no one would dare deny it. Is the idea of ​​truth merely an instrumental concept tool for dealing with the world and constructing theories that are likewise instrumental?

The issue becomes truly complex when two or more alleged truths clash. What grounds the attribution of truth to a statement regarding any fact, hypothesis, or theory? And how, from a moral and ethical standpoint, do we distinguish truth from a lie? Kant arguably made his most egregious error in this regard by asserting that a human being should never choose to lie—that doing so is always reprehensible. Yet, it is easy to imagine a situation that exposes the nonsense of this view: a revolutionary is hiding in your home during a bloody dictatorship. The political police arrives and ask, "Is [so-and-so] hiding in this house?" Telling the truth would mean handing the fugitive over to his likely killers and colluding with the dictators' illegitimate power—acts that are ethically abhorrent.

This example also makes it clear that power, legitimacy, ethics, and truth are inextricably intertwined.

Nietzsche dismantled the notion that truth can be pure and independent of any human perspective. In other words, he ruled out the existence of any absolute truth, arguing that all truths are subordinate to interests that are never explicit—often concealed or even unconscious to those who utter them. The point, then, is not to deny the existence of truths, but to highlight that they stem from perspectives and entail specific relations of social and political power. In short, truths are always relative. In everyday life, we frequently encounter situations—whether familial, social, or political —involving conflicts between competing "truths." Proponents of a given opinion argue their case by invoking logic, coherence, ethical or religious principles, or even scientific theories to substantiate their choice of what they proclaim to be *the* truth.

It is evident just how significant a part these debates play in our lives. It is also noteworthy how heavily passions interfere in them, usually prevailing over the supposedly rational elements of the argument.

The notion of the "arbiter of truth" is surely well known—that peculiar figure who never listens to what others say, especially when their own established "truth" (or that of their group) is called into question. No matter the evidence to the contrary, their opinion remains fixed—impregnable and immune to any possible refutation. Typically, they turn up their noses and turn their backs on dissenters. They recall the proverbial "blind man who refuses to see."

It is disheartening to observe how common this attitude is among politicians of all stripes.

Yet, it is not only in ideological, political, or religious matters that individuals who deem themselves the sole owners of truth emerge; such figures appear frequently among great scientists as well. Freud policed ​​disciples who dared question his dogmas; Einstein insisted that God should not play dice... All signs point to this being an inherent weakness of *Homo sapiens*. Is this a cause for sadness? Or should we embrace *amor fati* and build something greater, acknowledging this limitation of ours?

No, there is no need to lament human smallness! *Amor fati*. It is simply what we have: we are human beings—all too human.

I do not know if truth possesses any sort of essence that remains invariant over time. A few days ago, an analogy occurred to me involving a certain human archetype—one embodied countless times by historical figures, yet one that can be found everywhere. The figure of Messalina is frequently discussed in the history of Rome. She married Emperor Claudius at the age of fourteen; he was her uncle and was already forty-eight at the time of their union. There is no neutral source revealing the impact this age gap had on the nature of their relationship. What is known is that the young woman never limited her sexual encounters to her husband alone. Nor did he reproach her for this; one might even imagine he enjoyed the overflow of erotic passion from his beautiful, young, and fiery wife—passion fueled by the freedom to take whomever she pleased, whenever she pleased.

Messalina hosted public orgies in Rome's squares; in one instance, she challenged another beautiful young woman to a contest to see who could have full sexual intercourse (culminating in orgasm) with the greatest number of men in a single afternoon. The empress won the contest with twenty-five solid fucks!

Such is the nature of truth: like Messalina—a woman of extreme wantonness—it can never be owned,

August 8, 2026

Narciso e o "Narcisismo" Contemporâneo


Esta 'Genealogia do Real' dedica-se a aprofundar nossa compreensão do papel da libido narcísica na formação da da personalidade humana, como postulada por Freud.
É comum que estudiosos de psicologia e psicopatologia só tratem superficialmente de Narciso [Eu primordial da fase narcísica de desenvolvimento da libido], e erroneamente lhe atribuem tão-só o traço de negação do outro, dos outros.
Esquecem-se que, antes de negar o que lhe é exterior, Narciso necessariamente afirma a si mesmo!
Mostramos que só dessa afirmação radical de si mesmo por esse Eu primordial pode emergir a dialética que, em contato com o outro, engendra a complexo de Édipo.
Uma abordagem parca do papel desse ‘Narciso’ primordial certamente empobrece a compreensão e a análise do complexo de ‘Édipo’ e de todo o desenvolvimento da personalidade.
Só um leitor muito desatento poderia imaginar que aqui se trata de amenizar a imagem ruim disseminada, e amplamente justificada dos "narcisistas", do mundo contemporâneo. Nada mais descabido! O assim chamado "narcisismo" contemporâneo pouco, quase nada, conserva da afirmação radical da libido narcísica infantil.
Certamente é fenômeno engendrado pelo consumismo insano que aprisiona a sociedade global, e que tanto tem destruído da Natureza à nossa volta! De tanto ser estimuladas a consumir compulsoriamente, as pessoas se voltam a si mesmas, a uma imagem de si, reificada, transformada em coisa, mercadoria, que se dedicam a tentar vender e usufruir auto-eroticamente!
Tarefa premente se impõe aos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento da libido e da personalidade: como se dá essa apropriação da libido narcísica pela estrutura de produção capitalista.

August 5, 2026

Remembering and Rejoicing!

Messalina e La Verità



Baccanal, by Franz von Stuck

Da millenni, filosofi e scienziati ricercano verità di valore universale. Eppure, è piuttosto curioso che esistano innumerevoli definizioni di ciò che questa "signora" tanto ambita possa effettivamente essere. È possibile che così tante persone la cerchino senza sapere veramente cosa sia la verità? Ciononostante, tutti sembrano concordare sul fatto che le verità esistano. E tutto lascia pensare che — almeno in questa accezione plurale — nessuno oserebbe negarlo. L'idea di verità è forse soltanto un concetto strumentale, uno strumento per rapportarsi al mondo e costruire teorie a loro volta anche non più che strumentali?
La questione si fa davvero complessa quando due o più presunte verità entrano in conflitto. Su cosa si fonda l'attribuzione di verità a un'affermazione riguardante un qualsiasi fatto, ipotesi o teoria? E come distinguiamo, da un punto di vista morale ed etico, la verità dalla menzogna? Probabilmente Kant commise il suo errore più grave a questo proposito, sostenendo che un essere umano non dovrebbe mai scegliere di mentire — che farlo è sempre eticamente riprovevole. Eppure, non è difficile immaginare una situazione che riveli l'assurdità di tale visione: un rivoluzionario si nasconde in casa vostra durante una sanguinosa dittatura. Arriva la polizia politica e chiede: "[Tizio] si nasconde in questa casa?" Dire la verità significherebbe consegnare il fuggitivo ai suoi probabili carnefici e rendersi complici del potere illegittimo dei dittatori: atti eticamente ripugnanti.
Questo esempio chiarisce inoltre come potere, legittimità, etica e verità siano indissolubilmente intrecciati.
Nietzsche ha smantellato l'idea che la verità possa essere pura e indipendente da qualsiasi prospettiva umana. In altre parole, ha escluso l'esistenza di una verità assoluta, sostenendo che tutte le verità sono subordinate a interessi mai del tutto espliciti — spesso celati o addirittura inconsci per chi li enuncia. Il punto, dunque, non è negare l'esistenza delle verità, bensì evidenziare che esse scaturiscono da prospettive e comportano specifiche relazioni di potere sociale e politico. In sintesi, le verità sono sempre relative. Nella vita quotidiana, ci imbattiamo spesso in situazioni — familiari, sociali o politiche — che vedono contrapposte "verità" in competizione. I sostenitori di una determinata opinione argomentano la propria posizione invocando logica, coerenza, principi etici o religiosi, o persino teorie scientifiche, a sostegno della loro scelta che proclamano di essere *la* verità.
È evidente quanto questi dibattiti rivestano un ruolo significativo nelle nostre vite. È inoltre degno di nota quanto le passioni vi interferiscano pesantemente, prevalendo di solito sugli elementi presumibilmente razionali della discussione.
Mi pare sia ben nota la figura di quello, o quella, che si comporta come se avesse il monopolio della verità: quel personaggio singolare che non ascolta mai ciò che dicono gli altri, soprattutto quando la sua "verità" viene messa in discussione. A nulla valgono le prove contrarie: la sua opinione resta immutabile, inespugnabile e immune a qualsiasi possibile confutazione. Tipicamente, storce il naso e volta le spalle ai dissidenti. Ricorda il proverbiale «cieco che si rifiuta di vedere». È sconfortante osservare quanto sia diffuso questo atteggiamento tra i politici di ogni lato.
Eppure, non è solo in ambito ideologico, politico o religioso che emergono individui convinti di detenere l'esclusiva della verità; figure simili si ritrovano spesso anche tra i grandi scienziati. Freud vigilava severamente sui discepoli che avrebbero osavato mettere in dubbio i suoi dogmi; Einstein, si dice, ha resistito alla Fisica Quantica perché non accetò il fatto che Dio potesse giocare a dadi. Tutto lascia pensare che si tratti di una debolezza intrinseca dell'*Homo sapiens*. È motivo di tristezza? O dovremmo accogliere l'*amor fati* No, non c'è da lamentarsi della piccolezza umana! *Amor fati*. È semplicemente ciò che siamo: esseri umani... fin troppo umani.
Non so se la verità possieda un'essenza capace di restare immutata nel tempo. Qualche giorno fa mi è venuta in mente un'analogia che coinvolge un certo archetipo umano: una figura incarnata innumerevoli volte da personaggi storici, ma riscontrabile ovunque. La figura di Messalina ricorre spesso nella storia di Roma. Sposò l'imperatore Claudio a quattordici anni; lui era suo zio e ne aveva già quarantotto al momento dell'unione. Non esistono fonti affidabili che rivelino l'impatto di tale divario di età sulla natura del loro rapporti intimi. Ciò che è noto è che la giovane non limitò mai i suoi rapporti sessuali al marito imperatore. Né lui glielo rimproverava. Si potrebbe persino immaginare che godesse anche lui di quell'eccesso di passione erotica della sua focosa moglie, che di sicuro veniva esacerbata da quella libertà di prendersi chiunque volesse, quando voleva.
Messalina era solita organizzare orge pubbliche nelle piazze di Roma; in un'occasione, sfidò un'altra giovane donna di grande bellezza a una gara per stabilire chi delle due riuscisse ad avere rapporti sessuali completi (culminanti nell'orgasmo) con il maggior numero di uomini in un solo pomeriggio. L'imperatrice vinse la sfida con ben venticinque scopate!
Ecco la natura della verità: è come Messalina — donna di sfrenata lascivia — che non apparterrà mai veramente a nessuno, anche se un potere superiore (come Claudio) venisse dichiarato suo proprietario. 
Chiunque può godersi una scopata magnifica con la verità, ovunque, dappertutto, a patto che il caso e le circostanze siano dalla sua parte. Dopotutto, chi può sapere in anticipo verso dove si volgerà il desiderio di una donna, e per quanto tempo?
Se senti di essere il "padrone della bella donna" — che una splendida verità ti si sia rivelata direttamente, magari una meravigliosa verità vergine come quella apparsa a Einstein quando scoprì la relatività — allora assapora la tua fortuna, il tuo piacere e il suo. Chissà i vostri piaceri si moltiplicheranno, portando a innumerevoli altri incontri.
"Ma il mattino seguente, non contare fino a venti": stattene alla larga! Messalina muore se provi a rinchiuderla in gabbia! Lasciala "libera di amare, di andare dove vuole, di essere ciò che lei è".

August 3, 2026

Messalina e A Verdade

Baccanal, by Franz von Stuck
Filósofos e cientistas há milênios buscam verdades de valor universal. Bem curioso, porém, o fato de que são inúmeras as definições do que possa ser essa tão desejada dama. Será que tantos a procuram mesmo sem saber bem o que é uma verdade? A despeito disso, todos parecem concordar que existem as tais verdades. E, tudo indica que, ao menos nesse sentido plural, ninguém se atreveria a negar isso. Seria a idéia de verdade apenas um conceito instrumental, uma ferramenta pra lidarmos com o mundo, construindo teorias também instrumentais?
A questão se complica pra valer é no confronto entre duas ou mais supostas verdades. O que fundamenta uma atribuição de verdade a um enunciado sobre qualquer fato, hipótese ou teoria? E como, do ponto de vista moral e ético, se distingue uma verdade de uma mentira? Kant teria cometido a respeito talvez seu erro mais grosseiro, afirmando que jamais um ser humano deve optar por mentir, isto seria sempre condenável. É fácil, porém, imaginar situação que prova o absurdo disso: numa ditadura sangrenta, um revolucionário se esconde na tua casa. Chega a polícia política e te pergunta: “Fulano está escondido nesta casa?” Dizer a verdade equivale a entregar o fugitivo a seus prováveis assassinos, compactuar o poder ilegítimo dos ditadores, o que é eticamente abominável.
Desse exemplo também fica claro que poder, legitimidade, ética e verdade estão inextricavelmente emaranhados.
Nietzsche pôs abaixo a idéia de que a verdade pode ser pura, e independente de qualquer ponto-de-vista humano. Em outros termos, exclui que exista qualquer verdade absoluta, pois todas as verdades vêm sempre subordinadas a interesses nunca explícitos, tantas vezes escamoteados, ou mesmo inconscientes a quem as profere. Não se trata, pois,  de negar a existência de verdades, mas de apontar serem decorrentes de perspectivas, implicando relações determinadas de poder social e político. Em outros termos, verdades são sempre relativas.
Na vida quotidiana é frequente encontrar situações, familiares, sociais ou políticas de conflito entre supostas verdades, em que os defensores de uma opinião argumentam, invocando lógica, coerência, princípios éticos, religiosos, ou mesmo teorias científicas para fundamentar a opção pelo que proclamam ser "A" verdade.
É notório o quanto esses debates são parte importante de nossas vidas. É também digno de nota o quanto as paixões interferem neles, e via-de-regra, levam a melhor sobre os supostos vetores racionais da argumentação.
Creio ser muito bem conhecida a noção de “dono da verdade”, aquela figura estranha que jamais dá ouvidos ao que lhe digam, sobretudo caso se ponha em xeque aquilo que ele/ela, ou seu grupo etc., já decidiram ser “a verdade”. Por mais que haja evidências a contrariá-los, sua opinião está previamente fechada, inexpugnável, vacinada contra qualquer refutação possível. Tipicamente, torcem o nariz e voltam as costas aos discordantes. Lembram o caso do famoso “cego que não quer ver”.
Triste constatar que essa atitude é bem comum entre políticos de qualquer lado.
Ora, mas nem só em questões ideológicas, políticas, ou religiosas pipocam seres que se julgam únicos proprietários da verdade, também entre grandes cientistas eles saltam tantas vezes: Freud patrulhava os discípulos que pusessem em dúvida seus dogmas; Einstein queria que Deus não jogasse dados... Tudo indica que essa é uma fraqueza inerente ao Homo sapiens. Isso é triste? Ou devemos invocar o amor fati, e construir algo maior, dada essa nossa limitação?
Não, nada de lamentar a pequenez humana! Amor fati. É o que temos: somos seres humanos, demasiado humanos.
Não sei se a verdade pode ter algum tipo de essência, invariável no tempo. Ocorreu-me, há uns dias, uma analogia com um tipo humano, corporificado inúmeras vezes por personagens históricas, mas sempre encontradiça por toda parte.
Muito falada na História de Roma, a figura de Messalina. Casou-se com o imperador Claudio, aos 14 anos. Ele era seu tio, e contava já 48 anos ao casarem. Não se sabe, de fonte neutra, que impacto teve essa diferença de idade no tipo de relação entre eles. O que se sabe é que a jovem nunca se limitou a ter relações sexuais apenas com seu marido. E este não a censurava por isso, sendo até de se imaginar que usufruísse do transbordamento das paixões eróticas da linda, jovem e fogosa esposa, potencializadas pela liberdade de pegar quem quisesse, e a qualquer hora.
Messalina promovia orgias públicas nas praças de Roma, numa as quais desafiou outra bela jovem a competirem por saber qual delas faria sexo pleno (com orgasmos) com maior número de homens numa única tarde. A imperatriz venceu a disputa com vinte e cinco boas fodas!
Assim é a verdade: é como Messalina, uma mulher devassa ao extremo: jamais terá dono, mesmo se um poder maior for declarado seu dono  (Cláudio). Qualquer um pode curtir uma foda magnífica com a verdade, em qualquer lugar, basta que o acaso e as circunstâncias o favoreçam. Será que alguém sabe a priori pra quem irá o desejo de uma mulher?
Se tiver a impressão de que és “dono e senhor do material”, e de que chegou a ti em primeiríssima mão uma linda verdade, quem sabe virgem, semelhante à que se deu a Einstein ao descobrir a relatividade, aproveite bem tua sorte, teu gozo e o gozo dela. Quem sabe sejam múltiplos, e te propiciem mais incontáveis transas.
"Mas na manhã seguinte, não conte até vinte", te afasta dela! Messalina morre se tu a prenderes! Deixe-a "livre para amar, ir aonde quiser, ser o que ela é."

Real-Irreal: Filosofia, Psicopatologia, Arte