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IDIOMAS, IDIOMS, LINGUE

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July 31, 2026

Uma abordagem Monista ao Problema Corpo-Mente (Repostando texto da primavera de 2016)

Uma perspectiva monista aplicada ao problema mente-corpo deve correlacionar a cada "evento mental" um "evento corpóreo" [estado determinado do cérebro nos níveis micro e macroscópicos]. Este último deve vir descrito em termos anatômicos e fisiológicos, como base subjacente a nossa mente, bem como a todos os seus processos.  "Eventos mentais" definimos aqui como as actividades, os atos e conteúdos cuja matriz é a mente humana.
De nosso pressuposto básico (o monismo) a cada "evento mental", certamente inclusive a função simbólica, decorre necessariamente a existência de um "evento neurobiológico" com o qual mantém correspondência aparentemente unívoca. Pouco importa se a comprovação e a possibilidade de descrever precisamente essa correlação venha a revelar-se uma tarefa ainda mais complexa do que somos agora capazes de imaginar. 
Assim, não há razão para persistirmos a falar de uma divisão corpo-mente subsistente por si mesma, ontologicamente posta, independente  da existência de um sujeito observador. A divisão percebida e concebida necessariamente emerge como condição a priori a qualquer tentativa de capturar fenômenos humanos como objetos de estudo.
É a dupla porta de entrada disponível para qualquer tentativa de conhecer indivíduos de nossa própria espécie que impõe a emergência inevitável de dois campos científicos a respeito de um objeto mono-substancial em essência.
A imposição a priori de tal porta de entrada dupla pode ser percebida claramente, ao levarmos em conta o fato de que todos os dados empíricos sobre os seres humanos são captados, em última análise, de uma dessas duas fontes:
1) seja do corpo como um objeto concreto, seja
2) da mente como um constructo objetivado derivado da comunicação verbal (palavras) ou não verbal (gestos, caretas).

Devemos advertir eventuais leitores para que não se apressem e não concluam erroneamente que aqui defendemos o "organicismo" como a melhor abordagem para as ciências humanas, sejam da mente ou não ! Tampouco que optamos por defender o psicologismo, ou algo como um sociologismo. Estas considerações metodológicas destinam-se antes a chamar a atenção para o fato inegável de que a enorme complexidade do problema mente-corpo vai muito além de qualquer teoria reducionista.
Impõe-se ficar alerta aos perigos inerentes a todos os reducionismos, pois falsamente afirmam a validade de supostos conhecimentos "científicos" sobre nossos cérebros e mentes,  que se mostram logo dados parciais, inadequados ou mesmo nitidamente errôneos. Nossos cérebros, nossas mentes são órgãos sagrados,  matriz profunda de nossa existência e liberdade.

July 29, 2026

                                         NIETZSCHE e FREUD: Paralelos


July 28, 2026

Sereias, Ulisses e a Percepção do Tempo


Perdeu-se na vastidão do  mar
E, após longos anos sem Penélope
Extremamente carente de amor, 
Circe o alertou sobre à Ilha das Sereias, c Cujo canto se apoderava dos desejos dos homens,
Levando-os a êxtase tal que, abandonando tudo o que seu Eu lhes impunha,
Perdia-se até não mais encontrar rumo.
Esgotado, à beira de explodir, não se conteve. 
Decidiu-se a enfrentar o risco.
Astuto, mandou seus remadores bloquearem totalmente os próprios ouvidos,
Só ele mesmo ouviria o maravilhoso canto,
Fortemente atado ao mastro da nave,
Nem seus músculos de guerreiro o soltariam.

Quem já vivenciou um encontro pleno com os desejos, o corpo e a alma de alguém, desses em que o tempo paira suspenso como que a tangenciar a Eternidade, entrevê a delícia e a dor de Ulisses ao ouvir aquele canto tão proibido.
Qual dor?
A dor que vem com o retorno da percepção corriqueira do tempo, que se impõe, e nos fazer voltar pra trás das máscaras.

Álvaro de Campos e a Solidão.


Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

Para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
Ou qualquer facto?

Estou só, só como ninguém ainda esteve,

Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes,
Mas passam sem que seu passo seja leve.

Começo a ler, mas cansa-me o que ainda não li.

Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
É tudo alguma coisa como qualquer coisa que já vi.

Não ser nada, ser um figura de romance,

Sem vida, sem morte material, uma idéia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.


Esse poema foi meu primeiro contato com o maior de todos os poetas, Fernando Pessoa, na voz da atriz Dina Sfat que, atuando em telenovela na TV Globo [Os Ossos do Barão], contemplava as areias de uma praia deserta. Jamais esqueci essa cena!

Usei-o como epígrafe do romance A Última Coruja.


July 25, 2026

Sobrenatural ou Desconhecido? [Repostando artigo de 2011]



  • Resenha de "PODERES PARANORMAIS", de Diane H Powell (neuropsiquiatra pela John Hopkins School of Medicine, com formação complementar no Queen Square and The Institute of Psychiatry, de Londres,bem como na Harvard Medical School) 


Pontos principais desse instigante trabalho de uma grande neuropsiquiatra:
Dr Diane Powell não pretende provar a realidade dos fenômenos ditos extra-sensoriais, mas sim conjecturar racionalmente(isentando-se de quaisquer juízos prévios que interfiram com seu pensamento) em torno da possibilidade de os eventos paranormais serem explicáveis por funções naturais, ou seja, nada terem de sobrenatural ou de não-humano. Para tanto, cita e descreve grande número de fatos tidos como manifestação de paranormalidade, não diretamente observados por ela, mas registrados por fontes de confiança, como universidades, agências de segurança do governo federal norte-americano, cientistas de reputação acima de suspeita ( Jung, Einstein, e alguns outros). 
Constrói algumas especulações tateando os atuais limites das neurociências, da Mecânica Quântica, da Física Einsteiniana.
Dentro desse contexto emerge ponto nuclear de onde se irradiam suas conjecturas explicativas desses fenômenos enigmáticos: o CARÁTER ILUSÓRIO DE TEMPO E ESPAÇO, tão presente nos estudos de física contemporânea. E, desde Kant com a Crítica da Razão Pura (1782), tão bem postos em termos filosóficos. 
Como se sabe, se questionamos a realidade do tempo, a noção de causalidade também está posta em cheque (mate?), como bem observou Jung. Pois só no tempo podem existir sequências causais.

Dando grande prova de brilhantismo científico, esta eminente cientista não nega que pessoas com transtornos neuropsiquiátricos tenham  mais fenômenos paranormais do que a população "normal". Todavia, discorda frontalmente daqueles que alegam que isso possa por si só negar qualquer validade às eventuais ocorrências paranormais relatadas por tais pessoas. Drª Powell tece a conjectura de que uma eventual lesão neuronal pudesse ser facilitadora de certas faculdades paranormais, potencialmente comuns a todos os seres humanos, mas que teriam sido inibidas por questões adaptativas, ao longo da evolução de nossa espécie.
Ocorreu a mim, este resenhista, uma imagem para tentar compreender a ilusão humana do tempo: o Universo/Multiverso talvez fosse como um livro, em que um romance completo está impresso. Dada nossa condição humana, todavia, somos capazes de ler apenas numa única ordem: da primeira à última página, do começo ao fim! A Dra Diane Powell talvez gostasse dessa imagem, pois me parece dizer  mais ou menos o mesmo com outras palavras neste livro. Assim, os paranormais seriam pessoas, que, por razões desconhecidas, têm acesso eventual a trechos não usualmente percebidos do espaço-tempo.



#Ozempic, #Mounjaro prophesied by #Nietzsche?

"The desert grows: woe to him who conceals deserts!"                FN., in *Thus Spoke Zarathustra*

This aphorism encapsulates Nietzsche’s thought regarding the advance of nihilism in the contemporary world. The metaphor points to the growing loss of meaning in human life, manifested as the devaluation of the most sublime values.
Desertification symbolizes the inexorable progression of the "will to nothingness"—of the void.
The "Last Man," of whom Zarathustra speaks, avoids anything that might cause him suffering.
The explosion in the consumption of Ozempic, Mounjaro, and similar drugs highlights the need to suppress yet another desire that brings us both delights and suffering: appetite—gluttony.
It is the advance of the "will to nothingness," expanding the landscape of the ever-growing desert—the growing desert denounced by Nietzsche.The victory of nihilism over the fullness of a desiring life.

July 24, 2026

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