Subscribe in a reader

IDIOMAS, IDIOMS, LINGUE

ENGLISH, ITALIANO, PORTUGUÊS
Todas as postagens originais deste blog, com poucas exceções, podem ser lidas aqui, sem a necessidade de recorrer a tradutores automáticos, nesses idiomas acima.
Embora possam alguns dos textos não aparecer nas páginas iniciais, basta pesquisá-los aqui mesmo.

Tutti i post di questo blog, con poche eccezioni, potreste leggere qua nelle tre lingue su dette, senza bisogno di ricorrere a traduttori automatici (come il traduttore
di google). Sebbene possono non essere trovati nelle pagine iniziali, appariranno se ve le cercate.


Original posts on this blog, but for a few exceptions, may be found here in the three above mentioned idioms without need of any automatic translators. Whether not visible in the first pages, the "search this blog" tool will help you to find them easily.

August 19, 2026

Narcissus and Contemporary 'Narcissism' Are Different!


























This blogger's work, *Genealogy of the Real*, soon be on sale in bookstores, aims to deepen our understanding of the role of narcissistic libido in the formation of human personality, as postulated by Freud.
Scholars of psychology and psychopathology often treat the figure of Narcissus—the primordial Self of the narcissistic phase of libidinal development—superficially, erroneously attributing to him only the trait of negating the other or others.
It is often forgotten that, before negating what lies outside the self, Narcissus necessarily affirms himself!
Yet, it is only from this radical self-affirmation of the primordial Self that the dialectic can emerge which, through contact with the other, generates the Oedipus complex.
A reductive approach to the role of this primordial "Narcissus" inevitably impoverishes our understanding and analysis of the Oedipus complex and of personality development as a whole.
Only a very inattentive reader could imagine that the goal is to soften the negative image—widely held yet justified—of "narcissists" in the contemporary world. Nothing could be further from the truth! So-called contemporary "narcissism" retains little, if anything, of that radical affirmation characteristic of infantile narcissistic libido.
It is undoubtedly a phenomenon spawned by the frenzied consumerism that holds global society in its grip—the driving force behind so much destruction of the natural world around us! Constantly driven to consume compulsively, people retreat into a self-image—an image reified and transformed into a thing, a commodity—which they seek to sell and to enjoy autoerotically!
An urgent task awaits those dedicated to studying the development of libido and personality: understanding how this narcissistic libido is appropriated by the structure of capitalist production.

Narciso e il 'Narcisismo' Contemporaneo Sono Diversi!

























      L'opera dell'autore di questo blog, *Genealogia del Reale*, che sarà presto nelle librerie, mira ad approfondire la comprensione del ruolo della libido narcisistica nella formazione della personalità umana, così come postulato da Freud.È frequente che gli studiosi di psicologia e psicopatologia trattino la figura di Narciso — il Sé primordiale della fase narcisistica dello sviluppo libidico — in modo superficiale, attribuendogli erroneamente soltanto il tratto della negazione dell'altro o degli altri.
Si dimentica che, prima di negare ciò che sta al di fuori di sé, Narciso necessariamente afferma se stesso!
Eppure, solo da questa radicale autoaffermazione del Sé primordiale può scaturire la dialettica che, nel contatto con l'altro, genera il complesso di Edipo.
Un approccio riduttivo al ruolo di questo "Narciso" primordiale impoverisce inevitabilmente la comprensione e l'analisi del complesso di Edipo e dello sviluppo della personalità nel suo complesso.
Solo un lettore assai disattento potrebbe immaginare che l'obiettivo sia quello di edulcorare l'immagine negativa — ampiamente diffusa ma giustificata — dei "narcisisti" nel mondo contemporaneo. Nulla di più lontano dal vero! Il cosiddetto "narcisismo" contemporaneo conserva ben poco, se non nulla, di quell'affermazione radicale propria della libido narcisistica infantile.
Si tratta indubbiamente di un fenomeno generato dal folle consumismo che tiene in scacco la società globale: la forza causante di tanta distruzione nella Natura che ci circonda! Spinte costantemente a consumare in modo compulsivo, le persone si ripiegano su un'immagine di sé — un'immagine reificata e trasformata in cosa, in merce — che cercano di vendere e di godere autoeroticamente!
Un compito urgente attende chi si dedica allo studio dello sviluppo della libido e della personalità: comprendere come questa libido narcisistica venga appropriata dalla struttura della produzione capitalistica.

August 17, 2026

#Tirzepatida, #Semaglutida: Canetas Emagrecedoras são Milagrosas?

A 'milagrosa' transformação do apetite resultante do uso desses potencializadores de hormônios da saciedade implica necessariamente num novo regime metabólico que chega a todos os órgãos do corpo humano,
É preciso ser muito ingênuo pra se levar a sério que disso não resultarão transtornos desconhecidos sobre o psiquismo, sobre todo o desempenho do cérebro. Os impactos negativos sobre a saúde de tamanha avalanche de "saciados" não tardará a aparecer.
O quê, alguém julga que só os efeitos benéficos interessam? Em que planeta vive esse alguém?
Pouco tempo antes do lançamento do ozempic,  que precedeu a do mounjaro, a mídia global fez uma campanha pesada de demonização do aspartame e da sucralose,dois adoçantes amplamente consumidos no mundo todo. Ora, simples coincidência, é evidente, não!?🤑🤑🤔🤔🤌🏻🤌🏻😱😱😱

August 16, 2026

Messalina e A Verdade

Baccanal, by Franz von Stuck
Filósofos e cientistas há milênios buscam verdades de valor universal. Bem curioso, porém, o fato de que são inúmeras as definições do que possa ser essa tão desejada dama. Será que tantos a procuram mesmo sem saber bem o que é uma verdade? A despeito disso, todos parecem concordar que existem verdades. E, tudo indica que, ao menos nesse sentido plural, ninguém se atreveria a negar isso. Seria a idéia de verdade apenas um conceito instrumental, uma ferramenta pra lidarmos com o mundo, construindo teorias também instrumentais?
A questão se complica pra valer é no confronto entre duas ou mais supostas verdades. O que fundamenta uma atribuição de verdade a um enunciado sobre qualquer fato, hipótese ou teoria? E como, do ponto de vista moral e ético, se distingue uma verdade de uma mentira? Kant teria cometido a respeito talvez seu erro mais grosseiro, afirmando que jamais um ser humano deve optar por mentir, isto seria sempre condenável. É fácil, porém, imaginar situação que prova o absurdo disso: numa ditadura sangrenta, um revolucionário se esconde na tua casa. Chega a polícia política e te pergunta: “Fulano está escondido nesta casa?” Dizer a verdade equivale a entregar o fugitivo a seus prováveis assassinos, compactuar o poder ilegítimo dos ditadores, o que é eticamente abominável.
Desse exemplo também fica claro que poder, legitimidade, ética e verdade estão inextricavelmente emaranhados.
Nietzsche pôs abaixo a idéia de que a verdade pode ser pura, e independente de qualquer ponto-de-vista humano. Em outros termos, exclui que exista qualquer verdade absoluta, pois todas as verdades vêm sempre subordinadas a interesses nunca explícitos, tantas vezes escamoteados, ou mesmo inconscientes a quem as profere. Não se trata, pois,  de negar a existência de verdades, mas de apontar serem decorrentes de perspectivas, implicando relações determinadas de poder social e político. Em outros termos, verdades são sempre relativas.
Na vida quotidiana é frequente encontrar situações, familiares, sociais ou políticas de conflito entre supostas verdades, em que os defensores de uma opinião argumentam, invocando lógica, coerência, princípios éticos, religiosos, ou mesmo teorias científicas para fundamentar a opção pelo que proclamam ser "A" verdade.
É notório o quanto esses debates são parte importante de nossas vidas. É também digno de nota o quanto as paixões interferem neles, e via-de-regra, levam a melhor sobre os supostos vetores racionais da argumentação.
Creio ser muito bem conhecida a noção de “dono da verdade”, aquela figura estranha que jamais dá ouvidos ao que lhe digam, sobretudo caso se ponha em xeque aquilo que ele/ela, ou seu grupo etc., já decidiram ser “a verdade”. Por mais que haja evidências a contrariá-los, sua opinião está previamente fechada, inexpugnável, vacinada contra qualquer refutação possível. Tipicamente, torcem o nariz e voltam as costas aos discordantes. Lembram o caso do famoso “cego que não quer ver”.
Triste constatar que essa atitude é bem comum entre políticos de qualquer lado.
Ora, mas nem só em questões ideológicas, políticas, ou religiosas pipocam seres que se julgam únicos proprietários da verdade, também entre grandes cientistas eles surgem tantas vezes: Freud patrulhava os discípulos que pusessem em dúvida seus dogmas; Einstein queria que Deus não jogasse dados... Tudo indica que essa é uma fraqueza inerente ao Homo sapiens. Isso é triste? Ou devemos invocar o amor fati, e construir algo maior, dada essa nossa limitação?
Não, nada de lamentar a pequenez humana! Amor fati. É o que temos: somos seres humanos, demasiado humanos.
Não sei se a verdade pode ter algum tipo de essência, invariável no tempo. Ocorreu-me, há uns dias, uma analogia com um tipo humano, corporificado inúmeras vezes por personagens históricas, mas sempre encontradiça por toda parte.
Muito falada na História de Roma, a figura de Messalina. Casou-se com o imperador Claudio, aos 14 anos. Ele era seu tio, e contava já 48 anos ao casarem. Não se sabe, de fonte neutra, que impacto teve essa diferença de idade no tipo de relação entre eles. O que se sabe é que a jovem nunca se limitou a ter relações sexuais apenas com seu marido. E este não a censurava por isso, sendo até de se imaginar que usufruísse do transbordamento das paixões eróticas da linda, jovem e fogosa esposa, potencializadas pela liberdade de pegar quem quisesse, e a qualquer hora.
Messalina promovia orgias públicas nas praças de Roma, numa das quais desafiou outra bela jovem a competirem por saber qual delas faria sexo pleno (com orgasmos) com maior número de homens num único dia. A imperatriz venceu a disputa com vinte e cinco boas fodas!
Assim é a verdade: tal como Messalina, uma mulher devassa ao extremo: jamais terá dono, mesmo se um poder maior for declarado seu dono, pró-forma (Cláudio). Qualquer um pode curtir uma foda magnífica com a verdade, em qualquer lugar, basta que o acaso e as circunstâncias o favoreçam. Será que alguém sabe a priori pra quem irá o desejo de uma mulher?
Se tiver a impressão de que és “dono e senhor do material”, e de que chegou a ti em primeiríssima mão uma linda verdade, quem sabe virgem, semelhante à que se entregou  a Einstein ao descobrir a relatividade, aproveita bem tua sorte, teu gozo e o gozo dela. Quem sabe sejam múltiplos, e te propiciem mais incontáveis transas.
"Mas na manhã seguinte, não conte até vinte", te afasta dela! Messalina morre se tu a prenderes! Deixe-a "livre para amar, ir aonde quiser, ser o que ela é."

Eros Não Sabe Mentir!











Eros, de Caravaggio

Real-Irreal: Filosofia, Psicopatologia, Arte

Prefácio à 'Genealogia do Real' (Nietzsche e Freud)

“Sou homem depois desse falimento?” 
    João Guimarães Rosa, A Terceira Margem do Rio

O século 19 viu nascer grandes pensadores, alguns dos quais adentraram o século seguinte: um século pródigo: Freud, Nietzsche, Marx, Darwin, Kierkegaard, Bergson, Husserl, Heidegger, Durkheim, Unamuno e Russel, entre tantos outros.
Nesse momento, nesse texto, nos interessam Freud e Nietzsche.
Freud produz uma verdadeira dialética da interioridade. Nela, o sujeito não é jamais aquilo que se crê, está descentrado. Nele, o desejo fala. E esse humano que o desejo habita ganha nova dimensão: o não cônscio. Nesse contato, ganha realidades distintas.
Nietzsche, em suas metáforas irônicas e em seus aforismas, traz o humano, inclusive em seus atributos como memória e linguagem, oriundos do confronto dado pela Vontade de Potência.
Não é fácil segui-los, para quem não quer se fixar no imediatismo dos clichês do senso comum, mas, ao inverso, procura entendê-los em suas dimensões mais profundas.
Caminhos tortuosos, às vezes sombrios e escorregadios... Cheios de musgos e pedregulhos.
Perigoso caminhar.
Aí entra Marcos Wagner.
Com sua erudição, seu conhecimento, perspicácia e perseverança, ele vai nos conduzir com sua lanterna, por esses difíceis percursos. É o seu caminho que ele nos apresentará. Vamos segui-lo!
Iniciamos nossa caminhada com um texto freudiano de 1911: Formulações Acerca dos Princípios do Acontecer Psíquico, no qual Freud busca delinear o desenvolvimento a partir do Princípio de Prazer e do Princípio de Realidade. Nessa descrição de uma Hermenêutica moderna, Marcos Wagner, sempre seguindo Freud e Nietzsche, busca fazer contrapontos entre Prazer, Realidade, Mundo Externo, Interpretação, Consciência, Ressentimento, entre outros conceitos dos mestres.
A Genealogia do Real, em Freud e Nietzsche, trazidos por Marcos Wagner.
Nesse momento, em nosso trajeto, surge o que considero o ponto central do texto. Paralelos entre Freud e Nietzsche. Aqui, não será buscada uma síntese entre os dois pensadores, mas sim, as dessemelhanças. Novos conceitos serão avaliados nessas dimensões: Devir Ativo, Devir Reativo, Fantasia, Caos, Negação e Niilismo...
O banquete é amplo e variado, mas devemos saboreá-lo com cuidado e atenção redobrada.
Estamos chegando quase ao final de nosso trajeto. Despontam aqui duas instâncias fundamentais para entendermos o engendramento do humano: Narciso e Édipo. E a relação entre eles. E, claro, trazem juntos as questões do desejo, das identificações, o estudo das massas, a má-consciência, e tantos outros saberes.
A primeira coisa que nos chama a atenção é a pluralidade de leituras. Marcos nos coloca perante essa variedade, que é bem distante das conceituações fáceis e apressadas vistas por aí... Também se acentuam as correlações entre os dois conceitos, e daí, descrições sobre a formação do humano.
Com isso, terminamos o trajeto.
Terminamos?
Ao guerreiro leitor, agora enriquecido por tal percurso, oferece-se um presente, um descanso merecido:
A Arte!
“Perguntem aos poetas”, diz Freud.
Ou: “O artista sabe bem dar forma a conteúdos que vêm de desejos profundos, transformando a fantasia pessoal em prazer coletivo.”
Ou ainda: “É um trunfo da arte poder apresentar tanto o delírio quanto a verdade sob a mesma forma de expressão.”
Já Nietzsche nos traz: “Temos a arte para não sucumbir diante da verdade.”
E mais: “A essência de toda arte bela, de toda grande arte é a gratidão.”
E, ainda: “A arte, e nada além da arte. Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande sedutora que atrai para a vida.”
É marcante a importância da dimensão artística para esses dois pensadores.
Assim, Marcos Wagner da Cunha, utilizando os conceitos descritos em seu texto, vai analisar três obras de arte: o conto “O Outro Céu”, de Julio Cortázar; o filme Rashomon, de Akira Kurosawa; e “A Terceira Margem do Rio”, de Guimarães Rosa.
Para os amantes de Rosa, um dos mais belos e estranhos contos da antologia brasileira. Agora lido sob o prisma de Freud e Nietzsche.
Não poderia terminar este prefácio sem um depoimento pessoal. Há mais de quarenta anos acompanho, enquanto psiquiatra e psicoterapeuta, pessoas chamadas de psicóticas, e, entre elas, algumas tidas por esquizofrênicas. A proposta pode ser apresentada de maneira simples: buscar as verdades contidas no delírio e, via parodoxo, confrontá-las. Tenta-se, assim, “ancorar” uma leitura de realidade na outra, respeitando-as. Depois, analisa-se em que momento da biografia da pessoa surgiu a duplicidade e o rompimento.
Embora o texto de Marcos Wagner não foque a loucura explicitamente, ajuda-nos, e muito, a buscar nossas próprias respostas sobre as fronteiras entre realidades e loucuras.



Prefácio escrito por Geraldo Massarodoutor em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo, Supervisor de Residentes do Serviço de Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP, ex-presidente da Federação Brasileira de Psicodrama, autor de vários livros, dentre eles o romance ‘Nas Terras de Creonte’.