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August 26, 2026

Niilismo e Sexo: Liberação, Alívio e Vazio

Numa tarde muito quente de fim de inverno (mais de 30 graus), baixa umidade do ar (menos de 15%) e poluição intoxicante em toda esta dantesca megalópole paulistana, encontrei por acaso um grande amigo dos tempos de Faculdade de Medicina, sempre muito dado ao pensamento sem amarras, proferiu o que abaixo transcrevo acerca de momentos presentes e futuros da espécie humana:

"O sexo, desvencilhado um dia, enfim, de toda e qualquer barreira repressiva, vai tornar-se não mais que uma terceira função excretora humana. Enumero-as:
1) Rins: excreção urinária;
2) Trato digestivo: restos fecais;
3) Gônadas, útero, próstata: secreções sexuais.
Liberto de quaisquer barreiras repressivas, dipensado dos esforços transgressores inerentes à história dos amantes desde sempre, esvaziado de todo significado, e de toda emoção; descartada com total segurança a possibilidade 'incômoda e perigosa' da gravidez, 'fazer sexo' será mais uma maneira banal e corriqueira de alívio. Alívio  por tudo semelhante ao que se tem ao eliminar flatus, peidar, ou ao evacuar, todavia tendo a vantagem diante destes de não ser necessariamente causador de quaisquer incômodos aos que estiverem próximos, em absoluto! O alívio das secreções sexuais será discreto e solitáro, como o que se tem ao liberar aqueles silenciosos puns sem cheiro, que ninguém chega a denunciar. Ninguém mais, ainda que num mesmo ambiente,será obrigado a perceber os 'orgasmos' de outrem.
Não, não digo que só se praticará a masturbação, com ou sem sextoys, ou filmes pornôs, sabidamente estimulantes de onanistas. Cada um por si, que escolha, onde  vai preferir aliviar-se. O que importa é que a pergunta "com quem vai fazer sexo" vai sendo substituída por onde ou com quê se vai tentar fazê-lo. Repare-se que, já há um bom tempo, caiu em desuso a expressão fazer amor!
Há 130 anos, Nietzsche escreveu: "O deserto cresce". Com essa curta frase, quis fazer-nos ver que tudo o que a humanidade vivencia e faz está perdendo com rapidez crescente seu conteúdo e significado, o que aponta para uma época em que só o vazio dos mecanismos, das máquinas, e das coisas restará.
A humanidade bem perto do fim."

Acrescento minha certeza de que, motivando essas reflexões de meu amigo Enrico, não se encontrará nenhum tipo de moralismo! Interpretá-lo assim seria análogo a atribuir a Nietzsche uma condenação da cultura da Renascença européia pelo fato de não crer mais no Deus dos monges da Idade Média. Nada disso! Trata-se tão só de constatar fatos inegáveis, sem atribuir-lhes causas ou apontar os responsáveis por eles. Ninguém é capaz de afirmar saber por quê o deserto não pára de crescer! Tampouco parece possível saber o que tornaria tal tendência, tão forte e evidente, reversível.
Antes de partir, meu amigo sugeriu-me a leitura de um romance, cujo título é 'A Última Coruja',disponível na amazon.com.br como e-book, para talvez saber de alternativas a essa sua 
tão amarga fala profética.

Álvaro de Campos e a Solidão.


Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

Para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
Ou qualquer facto?

Estou só, só como ninguém ainda esteve,

Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes,
Mas passam sem que seu passo seja leve.

Começo a ler, mas cansa-me o que ainda não li.

Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
É tudo alguma coisa como qualquer coisa que já vi.

Não ser nada, ser um figura de romance,

Sem vida, sem morte material, uma idéia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.


Esse poema foi meu primeiro contato com o maior de todos os poetas, Fernando Pessoa, na voz da atriz Dina Sfat que, atuando em telenovela na TV Globo [Os Ossos do Barão], contemplava as areias de uma praia deserta. Jamais esqueci essa cena!

Usei-o como epígrafe do romance A Última Coruja.


August 25, 2026

#Gaya #Pachamama and the Noah's Descendants

 THE #EXTINCTION: "Earth provides enough for every person’s need but not for every person’s greed."   Mohandas K. #Gandhi You woke up from a prof...

August 24, 2026

Very Grateful to Prof Sara Bizarro, and The University of New Orleans!




 Kurosawa (left) and Toshiro Mifune (Rashomon's Tajomaru).

A Poesia Emana da Natureza!



"Quando as aves falam

com as pedras

e as rãs com as águas -

é de poesia que estão falando?"

Manoel de Barros

!El Amor es Cuántico!


Un gran amor, incluso después de acabarse, nunca muere,porque desde siempre es una paradoja flagrante.
El corazón, que nunca obedece a reglas,
ignorando el significado de 'realidad' y de nociones relacionadas,
riendo a carcajadas, proclama:
"Dejad la razón con sus reglas a los físicos,
fieles amantes de la gélida matemática.
¡Ninguna lógica se aplica a los deseos!"
Incluso si un odio mutuo brota entre los amantes,
no toma el lugar del amor ya muerto,
que non puede convertirse jamás en rencor,
Ni en ningún otro afecto. ¡Imposible!
Cuando ya sin vida cómo una piedra,
muerto nos persigue el amor.
¿A lo mejor cómo un zombi?
Humanos, ilusiones pretenciosas nos brotan siempre,
porque non podemos más que pretender existir,
para no ser vistos como meras gotas de nada.
¿Será que cuando el amor sale de escena, liberado de este truco ilusionista, el espacio-tiempo,
siguen los amantes enlazados como se fueran cuánticos?
Harán vínculo tan siniestro cómo aquel de los fotones,
que, pareados una vez,
continuarán a interactuar cómo tal para siempre, incluso después de alejados,
¿ignorando las distancias, a negar el ser mismo del espacio?
Einstein tomó el entanglement de partículas,
por hipótesis absurda, aceptable sólo como provisional.
En un arranque de modestia, yo me atrevo a decir:
¡Little Albert no ha visto que las partículas son amantes!
Quien ama sabe muy bien
qué confuso y 'no local' es amar.
Amantes no tienen por qué llorar ni celebrar sus separaciones,
y hay muchas razones para ello:
Segundo Nietzsche todo lo vivido hay que se repetir,
infinitas veces en un 'eterno retorno'.
Nuestros momentos más felices,
al igual de los más infernales volverán,
¡imposible escapar de esas idas y venidas eternas, amigos!
Que Dios, negando estar muerto,
cómo el alemán bigotudo, entre lágrimas, vino a anunciar,
mantennos a salvo de esta extraña pesadilla,
quizás nada más que una broma sádica del filósofo.
Pero ¿por qué nos asustaría tanto esta repetición interminable?
¿Será porque odiamos a nuestros ex amantes,
que simétricamente nos odian?
¿O porque los amamos y los odiamos,
al mismo tiempo, y desde siempre?

August 23, 2026

'O Outro Céu' de Julio Cortázar


A tensão entre Eros e Thanatos maximizada em Paris, onde a intensidade de viver do narrador chega ao clímax, onde a vida lhe dá os prazeres mais intensos. Josiane é o amor maior, paixão fugidia, Eros explosivo. Laurent, o assassino de prostitutas, traz a ameaça constante da morte, Thanatos.
No Sul-Americano, indivíduo esquivo e misterioso, Cortázar incorpora a imagem de Lautrémont, o escritor franco-uruguaio, que viveu seus últimos dias na Paris cercada pelos prussianos, em 1871. Em seu longo poema em prosa, Maldoror, todas as máscaras de bondade caem, e o ser humano se mostra capaz de wcabrosas maldades, dignas de demônios. Semelhantes às atribuídas a Calígula ou ao Marquês de Sade, além de gratuitas e quotidianas.

Já a vida do narrador do conto é bem diversa: corretor de bolsa de valores em Buenos Aires, seu quotidiano é tédio puro, rotina massacrante dominada pelas aspirações de sua família. Tem uma noiva, num relacionamento maçante. 
Pode o desejo deixar-se sufocar pelo tédio? 

Em Paris, Thanatos atiça Eros, dando vida à paixão por Josiane,.

Em Buenos Aires, o tédio e o nada, simbolizados pelos mosquitos da ilha dos pais de Irma, é tudo o que resta.