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February 24, 2026

Há Limites para o Conhecimento Científico?



Em busca de uma reposta a essa questão dos limites da ciência, comecemos recordando um mito que está na base da cultura do Ocidente, qual seja, o relato contido no Gênesis sobre o primeiro de todos os pecados humanos. Apesar da advertência de Deus para não provar do fruto da árvore da sabedoria, Eva não se absteve de comê-lo, e levou Adão a fazer o mesmo. Em conseqüência dessa desobediência, ambos foram expulsos do paraíso, e seus descendentes terão que pagar por essa sua falta, enquanto existirem humanos sobre a Terra.
Muitos estudiosos de religião afirmam que esse mito não deve ser lido como alegoria, mas sim, compreendido literalmente. Aqui, por discordar desse ponto de vista, tentamos interpretá-lo alegoricamente.
Os trabalhos de Kepler, Galileu e Newton descartaram o núcleo da física de Aristóteles. Uma visão de mundo mecanicista surgiu a partir dessa revolução na ciência, levando mesmo a questionamentos sobre se o Homo sapiens ainda deve ser considerado a mais importante dentre todas as criaturas. Afinal, a Terra não está mais no centro do Universo, bem diferente disso, é apenas mais um pequeno planeta entre outros.
No século XIX, Laplace teve até mesmo a ousadia de postular que toda a eternidade poderia ser detalhadamente conhecida, seja rumo ao passado, seja rumo ao futuro, caso pudéssemos capturar, em determinado instante, todos os estados e todas as leis do Universo. Para um bom entendedor, o que esse matemático quis mostrar foi que o ser humano, num Universo regido por rígidas leis mecânicas, poderia vir a tornar-se tão sábio e poderoso quanto o Deus criador. Bastante pretensioso! Muitos filósofos e cientistas do século XIX deram passos bem semelhantes a esses, levando ao florescimento do positivismo. A razão humana onipotente não encontraria obstáculo algum para seguir firme rumo ao saber absoluto.
Algumas décadas depois, porém, as teorias da relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica puseram abaixo esse "castelo de cartas"!
Fato é que em cada período da história humana é dominado por uma visão de mundo, baseada em teorias científicas tidas por verdadeiras, que, cedo ou tarde, terminam ultrapassadas por novas e melhores interpretações dos dados colhidos na experiência do mundo.
Sempre que o tema refutabilidade das teorias é posto a uma platéia de jovens entusiastas do progresso científico surge a pergunta:
"As geniais descobertas de Einstein, que até hoje mal podemos compreender, não serão imunes a refutação?".
A que respondemos:
"Não, de jeito nenhum, jovem! Essa sua pergunta denota uma expecativa ingênua, já que nenhuma teoria pode ser imune a tornar-se ultrapassadas!”
Talvez retruquem:
Albert Einstein foi um gênio extraordinário, um cérebro poderosíssimo, como nunca se viu, ouviu, ou leu!"
Analisando a história da ciência, não é difícil perceber que nenhuma teoria pôde nem poderá jamais ser considerada definitiva. São todas provisórias, as melhores delas sempre devem estar à espera de um ou mais dados novos de observação que a neguem, a falsifiquem. Quando um suposto cientista tenta blindar suas teorias contra a possibilidade de refutação por novas observações, abandona a ciência e se torna um simples charlatão, um "vendedor de óleo de cobra". Esteja ciente, jovem, de que existem muitos desses pseudo-cientistas!
Por ser essencialmente provisório [evidência metafísica que surge no núcleo das próprias ciências empíricas], o conhecimento científico nos aponta para o verdadeiro significado do 'Fruto Proibido' do Genesis. Vejamos:
O conhecimento absoluto nunca será acessível a nenhum ser humano, pois apenas verdades relativas e provisórias podem chegar a nossa consciência.
Uma teoria científica refutável é o melhor "fruto que podemos digerir". O máximo grau de verdade acessível a nossa capacidade de conhecer. Ainda que cientes disto, nunca deixaremos de dar ouvidos ao blá-blá-blá da 'serpente' que tenta fazer-nos olhar para as teorias do presente [da hora!] como "verdades definitivas" (ou seja, sugerir que 'comamos dos frutos proibidos') para nos tornar tão onipotentes quanto o Deus bíblico.

Quão ingênuo precisa ser alguém pra levar a sério as palavras dessa "serpente"!


***Nossa resposta envolve uma opção metafísica, pois se baseia em expectativa que só se comprovará com fatos futuros. Não podemos prová-la, apenas especular que nunca haverá teoria que esgote o mundo observado.




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